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BAT�LITO SIEN�TICO MIASQU�TICO NEOPROTEROZ�ICO ITABUNA: MAGMATISMO ANOROG�NICO NO SUL DO ESTADO DA BAHIA
Peixoto, A.A.1; Concei��o, H.1; Rosa, M.L.S.1,2; Rios, D.C.1; Menezes, R.C.L.1; Marinho, M.M.1,3; Cunha, M.P.1; Almeida, R.N.1
1. Laborat�rio de Petrologia Aplicada � Pesquisa Mineral � Curso de P�s-Gradua��o em Geologia, Instituto de Geoci�ncias - UFBA, Rua Bar�o de Geremoabo, s/n, Ondina. 41.170-215, Salvador-BA, Brasil. aap@cpgg.ufba.br; gpa@ufba.br 2. Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient�fico e Tecnol�gico 3. Companhia Baiana de Pesquisa Mineral - CBPM
ABSTRACT
Palavras-chave: Neoproteroz�ico, magmatismo, alcalino, anorog�nico, Bahia
INTRODU��O A Prov�ncia Alcalina do Sul do Estado da Bahia (PASEBA, Fig. 1) � constitu�da por v�rios bat�litos, stocks e diques. O Bat�lito Sien�tico Miasqu�tico Itabuna (BSI) de idade neoproteroz�ica constitui o corpo localizado no extremo nordeste desta prov�ncia. Suas rochas foram identificadas e mapeadas por v�rios projetos de cartografia regional (conferir s�ntese realizada por Peixoto, 2005) e sua idade neoproteroz�ica foi estabelecida por (Cordani et al., 1974). Os estudos isot�picos realizados por Rosa et al. (2003) nas rochas da PASEBA permitiram identificar que este magmatismo alcalino inicia-se na por��o sul desta prov�ncia com corpos dominantemente nefelina-sein�ticos (732 Ma), sendo que a �ltima intrus�o a se posicionar � o BSI (676 Ma, Teixeira et al., 1997). Concei��o et al. (1992) identificam que na parte norte da PASEBA encontram-se as rochas mais m�ficas. Por outro lado, Rosa et al. (2003) chamam a aten��o que existem evid�ncias de mistura de magmas nos corpos do norte desta prov�ncia (Complexo Floresta Azul � Rosa et al., 2003 e Itabuna � Peixoto, 2005), portanto sendo distintos dos corpos situados a sul (Oliveira, 2003; Menezes, 2005).
Figura 1. Localiza��o da PASEBA no Estado da Bahia e mapa simplificado desta prov�ncia apresentando as prin-cipais unidades geol�gicas (sedimentos n�o consoli-dados=1, metassedimentos = 2, rochas alcalinas = 3 e metamorfitos do embasamento = 4). � Neste contexto, o estudo do BSI pode fornecer importantes informa��es para a compreens�o da evolu��o geoqu�mica dos magmas alcalinos da PASEBA; se houve mudan�a da natureza da fonte e tamb�m sobre o papel que a crosta continental arqueano-paleoproteroz�ica desta parte do Cr�ton do S�o Francisco exerce. Este trabalho apresenta e discute novos dados geol�gicos, da geoqu�mica convencional e da geoqu�mica isot�pica (Sr e Nd) para as rochas do BSI.
GEOLOGIA O BSI (Fig. 1) � uma intrus�o com eixo maior orientado NE-SW, tem aproximadamente 450 km2, tendo contatos sinuosos com os metamorfitos e que trunca as folia��es regionais orientadas preferencialmente NS. Este bat�lito � afetado pelo sistema de falhas Itabuna-Itaj� do Col�nia, que promove cisalhamento nestas rochas (Fig. 2). Os trabalhos de campo confirmaram a exist�ncia de v�rios tipos de rochas (monzonito, gabro, sienito, nefelina-sienito, al�m de grande n�mero de diques b�sico e f�lsico) descrita nos trabalhos anteriores.
Figura 2. Mapa faciol�gico esquem�tico do BSI com os tipos cartograficamente expressivos. Notar que a distribui��o das f�cies petrogr�ficas descrevem padr�o conc�ntrico, concordando com a folia��o interna em cada uma delas.
As rochas nefelina-sien�ticas ocorrem de forma localizada em algumas regi�es do BSI e seus contatos com os outros tipos de rochas s�o pobremente observados. As rochas gabr�icas ocorrem igualmente de forma localizada no BSI e seus contatos n�o foram observados com os outros tipos devido � densa floresta que protege a agricultura cacaueira na �rea. Chama aten��o em campo � presen�a de rochas gabr�icas, monzonitos com numerosos enclaves de rochas gabr�icas e rochas sien�ticas. Os contatos entre os enclaves gabr�icos e as rochas monzon�ticas s�o complexos e todo este conjunto est� orientado segundo o fluxo magm�tico. Em certas regi�es do BSI, particularmente em sua por��o centro-norte � poss�vel observar em v�rios afloramentos que os monzonitos tornam-se mais m�ficos quando as fei��es de mistura s�o mais abundantes e composi��es sien�ticas dominam em afloramentos pobres em enclaves. Ante a isto, as rochas do BSI foram reunidas em quatro grupos distintos que apresentam contatos gradativos entre si, que s�o: sienitos (~65% da �rea total); rochas com evid�ncia de mistura entre magmas (~24%); nefelina-sienitos (~9%) e os 2% restantes s�o constitu�dos por gabros e diques. Estas rela��es indicam a coexist�ncia entre magmas m�fico e f�lsico, e a forma��o de rochas h�bridas (monzonitos).
PETROGRAFIA E MINERALOGIA As rochas sien�ticas apresentam granula��o m�dia a grossa e s�o constitu�das por ortocl�sio pert�tico, andesina-oligocl�sio. Os minerais m�ficos s�o clinopirox�nio, anfib�lio e mica. Os gabros cont�m usualmente nefelina, s�o rochas com olivina, clinopirox�nio, hornblenda, e os cristais de plagiocl�sio t�m composi��o variando de andesina-Ca e labradorita-Na. Os minerais acess�rios s�o ilmenita e Ti-magnetita e titanita. Em algumas rochas t�m-se cristais intersticiais de carbonato. Os monzonitos s�o rochas com granula��o m�dia e colora��o acinzentada. Eles cont�m normalmente clinopirox�nio com exsolu��o fina de ortopirox�nio, ocasionalmente aegerina-augita, hornblenda, biotita e os cristais de apatita tendem a ter h�bito acicular. Fei��es de reabsor��o em minerais s�o freq�entes e se marcam por contatos embaiados nos feldspatos e franjas ricas em minerais opacos nos m�ficos. Os nefelina-sienitos s�o rochas de cor clara, com granula��o muito vari�vel. O m�fico predominante � aegirina-augita e biotita ferr�fera, sendo que hornblenda e o plagiocl�sio albita-oligocl�sio ocorrem de forma subordinada.
GEOQU�MICA E DISCUSS�O Os dados qu�micos quando lan�ados no diagrama TAS (Fig. 3), posicionam-se concordantemente com a tend�ncia evolucional encontrada para a su�te subssaturada em SiO2 da PASEBA. Neste mesmo
diagrama os grupos de rochas identificados nos trabalhos de campo s�o facilmente identificados: gabros, sienitos e monzonitos com fei��es de mistura. Por outro lado, constata-se neste mesmo diagrama a presen�a de um outro conjunto distinto de rochas formado por nefelina-sienitos que exibem forte enriquecimento em Na2O (at� 12%) para pequena varia��o de SiO2 (55-60%). E, aparentemente tem processo de fracionamento controlado por parag�nese distinta da envolvida na gera��o dos outros tipos de rochas.
Figura 3. Diagrama TAS (Le Maitre et al., 2002) aplicado �s rochas do BSI. Rochas m�ficas (c�rculo cheio), rochas monzon�ticas (losango cheio), sienito (c�rculo vazio) e nefelina-sienito (losango �vazio). A �rea cinza corresponde � tend�ncia evolucional das rochas subssaturadas em SiO2.
Os ETR quando lan�ados no diagrama multielementar (Fig. 4) revelam que os conte�dos m�dios destes elementos para as rochas sien�ticas alocam-se no dom�nio da �rea das rochas m�ficas e ambos apresentam geometrias similares, sugerindo cogeneticidade. Por outro lado, os espectros das rochas monzon�ticas h�bridas apresentam-se mais empobrecidos que os anteriores e caracterizam-se pela presen�a de anomalias positivas em Eu. Estes dados apontam para uma hist�ria complexa para a forma��o das rochas deste bat�lito, sugerindo que a o magma sien�tico dominante envolvido sofreu al�m de mistura, processo importante de cristaliza��o fracionada com alguma acumula��o de feldspato alcalino. O espectro m�dio dos ETR das rochas nefelina-sien�ticas, quando comparado aos das demais f�cies petrogr�ficas do bat�lito, apresenta-se mais empobrecido e guarda geometria similar apresentada pelas outras f�cies. Este fato � interpretado como assinatura de fonte comum e que estas rochas s�o geradas por cristaliza��o fracionada em partes localizadas desta c�mara magm�tica, envolvendo provavelmente importante cristaliza��o de clinopirox�nio.
Figura 4. Diagrama multielementar para os ETR normalizados pelo Condrito C1.
Os dados das raz�es isot�picas do Sr e Nd apontam para uma fonte mant�lica (0,703<87Sr/86Sro<0,704) relativamente enriquecida (-5<eNdT<+1,4) e as idades modelo (TDM) indicam que a idade de extra��o do manto foi em 1,0-1,1 Ga. Em resumo, os dados obtidos nesta pesquisa, que investiga a evolu��o petrol�gica do Bat�lito Miasqu�tico Itabuna, revelaram que este corpo segue o padr�o das intrus�es da parte norte da Prov�ncia Alcalina do Sul do Estado da Bahia, onde s�o expressivas as evid�ncias de mistura entre magmas. A idade para a fus�o ment�lica respons�vel por estes magmas ocorreu a aproximadamente 1 Ga, o que coincide com a coloca��o do magmatismo tole�tico fissural presente neste setor do Estado da Bahia. A forma��o das rochas identificadas � controlada em parte pela cristaliza��o fracionada e mistura entre os magmas m�fico e fonol�tico (sien�tico) gerando as rochas monzon�ticas. Os nefelina-sienitos, que ocorrem em por��es localizadas s�o gerados por fracionamento expressivo de clinopirox�nio de magma fonol�tico.
AGRADECIMENTOS Os resultados apresentados
neste trabalho constituem s�ntese de parte da tese de doutorado do
primeiro autor. Estes estudos contaram com apoios recebidos dos seguintes
organismos: Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), PRONEX (CNPq-FAPESB
2003), CNPq (Processos nos 303581/03-4, 550483/02-0). Esta
� a contribui��o n�mero 191 do Laborat�rio de Petrologia Aplicada
� Pesquisa Mineral do IGEO-UFBA. REFER�NCIAS Concei��o, H.; Arcanjo, J.B.; Oliveira,
J.E. 1992. Prov�ncia alcalina do sul da Bahia: reflex�es sobre o estado
do conhecimento. Congr. Bras. Geol., 37, Anais, SBG, S�o Paulo. Bol.
Res. Exp., 2:84-85. Cordani, U.G.; Bernat, M.; Teixeira, W.; Kawashita, H. 1974. Idades radiom�tricas das rochas alcalinas do Sul do Estado da Bahia. In: SBG, Cong. Bras. Geol., 27, Porto Alegre, Anais, 6:253-259. Le Maitre, R.W.; Streckeisen A.; Zanettin B.; Le Bas M.J.; Bonin, B.; Bateman, P. 2002. Igneous Rocks: A classification and glossary
of terms: recommendations of the International Union of Geological
Sciences Subcommission on the systematics of Igneous Rocks. Menezes, R.C.L. 2005.
Petrografia e geoqu�mica do Maci�o Nefelina-Sien�tico Rio Pardo, munic�pio
de Potiragu�, Sul da Bahia. Disserta��o de Mestrado, Instituto de Geoci�ncias, Universidade Federal
da Bahia, 117 p. Oliveira, A.E.L. 2003. Geologia, Petrografia,
Litogeoqu�mica e idade Rb-Sr do Maci�o Sien�tico Itarantim, Sul do
Estado da Bahia. Disserta��o de Mestrado, Instituto de Geoci�ncias,
Universidade Federal da Bahia, 110 p. Peixoto, A.A. 2005. Petrologia do Maci�o
Sien�tico Itabuna. Tese
de Doutoramento, Instituto de Geoci�ncias, Universidade Federal da
Bahia, 145 p. Rosa, M.L.S.; Concei��o, H.; Macambira,
M.J.B.; Marinho, M.M.; Marques, L.S. 2003. Idade (Pb-Pb) e aspectos
petrogr�ficos e litogeoqu�micos do Complexo Floresta Azul, Sul do
Estado da Bahia. Rev. Bras. Geoc., 33(1):13-20. Teixeira, W.; Kamo, S.L.; Arcanjo, J.B.A. 1997. U-Pb zircon and baddeleyte age and tectonic interpretation of the Itabuna alkaline suite, S�o Francisco Craton, Brazil. J. South Am. Earth Sci., 10:91-98.
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