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ST3 - 14

BAT�LITO SIEN�TICO MIASQU�TICO NEOPROTEROZ�ICO ITABUNA:

MAGMATISMO ANOROG�NICO NO SUL DO ESTADO DA BAHIA

 

 

Peixoto, A.A.1; Concei��o, H.1; Rosa, M.L.S.1,2; Rios, D.C.1; Menezes, R.C.L.1;

Marinho, M.M.1,3; Cunha, M.P.1; Almeida, R.N.1

 

1. Laborat�rio de Petrologia Aplicada � Pesquisa Mineral � Curso de P�s-Gradua��o em Geologia, Instituto de Geoci�ncias - UFBA, Rua Bar�o de Geremoabo, s/n, Ondina. 41.170-215, Salvador-BA, Brasil.

aap@cpgg.ufba.br; gpa@ufba.br

2. Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient�fico e Tecnol�gico

3. Companhia Baiana de Pesquisa Mineral - CBPM

 

 

ABSTRACT
The Itabuna Neoproterozoic Miasquitic Batholith, around 450 km2, is inserted in the north of the Alkaline Province of the South of Bahia State. It is dominated by syenites and the others rocks types present a concentric disposition showing enclaves and the magmatic foliation. The field features indicate that the monzonitic rocks are hybrids, made by mixing of alkaline mafic and phonolitic magmas. The chemical data support the different alkaline rocks are cogenetics, proving the hypothesis of the mixing existence, and that the magma was extracted from the mantle around 1 Ga. The internal evolution of this batholith is complex and involved mixing between different magmas and fractional crystallization.

 

Palavras-chave: Neoproteroz�ico, magmatismo, alcalino, anorog�nico, Bahia

 

 


INTRODU��O

A Prov�ncia Alcalina do Sul do Estado da Bahia (PASEBA, Fig. 1) � constitu�da por v�rios bat�litos, stocks e diques. O Bat�lito Sien�tico Miasqu�tico Itabuna (BSI) de idade neoproteroz�ica constitui o corpo localizado no extremo nordeste desta prov�ncia. Suas rochas foram identificadas e mapeadas por v�rios projetos de cartografia regional (conferir s�ntese realizada por Peixoto, 2005) e sua idade neoproteroz�ica foi estabelecida por (Cordani et al., 1974).

Os estudos isot�picos realizados por Rosa et al. (2003) nas rochas da PASEBA permitiram identificar que este magmatismo alcalino inicia-se na por��o sul desta prov�ncia com corpos dominantemente nefelina-sein�ticos (732 Ma), sendo que a �ltima intrus�o a se posicionar � o BSI (676 Ma, Teixeira et al., 1997).

Concei��o et al. (1992) identificam que na parte norte da PASEBA encontram-se as rochas mais m�ficas. Por outro lado, Rosa et al. (2003) chamam a aten��o que existem evid�ncias de mistura de magmas nos corpos do norte desta prov�ncia (Complexo Floresta Azul � Rosa et al., 2003 e Itabuna � Peixoto, 2005), portanto sendo distintos dos corpos situados a sul (Oliveira, 2003; Menezes, 2005).

 

Figura 1. Localiza��o da PASEBA no Estado da Bahia e mapa simplificado desta prov�ncia apresentando as prin-cipais unidades geol�gicas (sedimentos n�o consoli-dados=1, metassedimentos = 2, rochas alcalinas = 3 e metamorfitos do embasamento = 4).



Neste contexto, o estudo do BSI pode fornecer importantes informa��es para a compreens�o da evolu��o geoqu�mica dos magmas alcalinos da PASEBA; se houve mudan�a da natureza da fonte e tamb�m sobre o papel que a crosta continental arqueano-paleoproteroz�ica desta parte do Cr�ton do S�o Francisco exerce.

Este trabalho apresenta e discute novos dados geol�gicos, da geoqu�mica convencional e da geoqu�mica isot�pica (Sr e Nd) para as rochas do BSI.

 

GEOLOGIA

O BSI (Fig. 1) � uma intrus�o com eixo maior orientado NE-SW, tem aproximadamente 450 km2, tendo contatos sinuosos com os metamorfitos e que trunca as folia��es regionais orientadas preferencialmente NS. Este bat�lito � afetado pelo sistema de falhas Itabuna-Itaj� do Col�nia, que promove cisalhamento nestas rochas (Fig. 2). Os trabalhos de campo confirmaram a exist�ncia de v�rios tipos de rochas (monzonito, gabro, sienito, nefelina-sienito, al�m de grande n�mero de diques b�sico e f�lsico) descrita nos trabalhos anteriores.

 

 

Figura 2. Mapa faciol�gico esquem�tico do BSI com os tipos cartograficamente expressivos. Notar que a distribui��o das f�cies petrogr�ficas descrevem padr�o conc�ntrico, concordando com a folia��o interna

em cada uma delas.

 

As rochas nefelina-sien�ticas ocorrem de forma localizada em algumas regi�es do BSI e seus contatos com os outros tipos de rochas s�o pobremente observados. As rochas gabr�icas ocorrem igualmente de forma localizada no BSI e seus contatos n�o foram observados com os outros tipos devido � densa floresta que protege a agricultura cacaueira na �rea.

Chama aten��o em campo � presen�a de rochas gabr�icas, monzonitos com numerosos enclaves de rochas gabr�icas e rochas sien�ticas. Os contatos entre os enclaves gabr�icos e as rochas monzon�ticas s�o complexos e todo este conjunto est� orientado segundo o fluxo magm�tico. Em certas regi�es do BSI, particularmente em sua por��o centro-norte � poss�vel observar em v�rios afloramentos que os monzonitos tornam-se mais m�ficos quando as fei��es de mistura s�o mais abundantes e composi��es sien�ticas dominam em afloramentos pobres em enclaves. Ante a isto, as rochas do BSI foram reunidas em quatro grupos distintos que apresentam contatos gradativos entre si, que s�o: sienitos (~65% da �rea total); rochas com evid�ncia de mistura entre magmas (~24%); nefelina-sienitos (~9%) e os 2% restantes s�o constitu�dos por gabros e diques. Estas rela��es indicam a coexist�ncia entre magmas m�fico e f�lsico, e a forma��o de rochas h�bridas (monzonitos).

 

PETROGRAFIA E MINERALOGIA

As rochas sien�ticas apresentam granula��o m�dia a grossa e s�o constitu�das por ortocl�sio pert�tico, andesina-oligocl�sio. Os minerais m�ficos s�o clinopirox�nio, anfib�lio e mica.

Os gabros cont�m usualmente nefelina, s�o rochas com olivina, clinopirox�nio, hornblenda, e os cristais de plagiocl�sio t�m composi��o variando de andesina-Ca e labradorita-Na. Os minerais acess�rios s�o ilmenita e Ti-magnetita e titanita. Em algumas rochas t�m-se cristais intersticiais de carbonato.

Os monzonitos s�o rochas com granula��o m�dia e colora��o acinzentada. Eles cont�m normalmente clinopirox�nio com exsolu��o fina de ortopirox�nio, ocasionalmente aegerina-augita, hornblenda, biotita e os cristais de apatita tendem a ter h�bito acicular. Fei��es de reabsor��o em minerais s�o freq�entes e se marcam por contatos embaiados nos feldspatos e franjas ricas em minerais opacos nos m�ficos.

Os nefelina-sienitos s�o rochas de cor clara, com granula��o muito vari�vel. O m�fico predominante � aegirina-augita e biotita ferr�fera, sendo que hornblenda e o plagiocl�sio albita-oligocl�sio ocorrem de forma subordinada.

 

GEOQU�MICA E DISCUSS�O

Os dados qu�micos quando lan�ados no diagrama TAS (Fig. 3), posicionam-se concordantemente com a tend�ncia evolucional encontrada para a su�te subssaturada em SiO2 da PASEBA. Neste mesmo



 

diagrama os grupos de rochas identificados nos trabalhos de campo s�o facilmente identificados: gabros, sienitos e monzonitos com fei��es de mistura. Por outro lado, constata-se neste mesmo diagrama a presen�a de um outro conjunto distinto de rochas formado por nefelina-sienitos que exibem forte enriquecimento em Na2O (at� 12%) para pequena varia��o de SiO2 (55-60%). E, aparentemente tem processo de fracionamento controlado por parag�nese distinta da envolvida na gera��o dos outros tipos de rochas.

 

 

Figura 3. Diagrama TAS (Le Maitre et al., 2002) aplicado �s rochas do BSI. Rochas m�ficas (c�rculo cheio), rochas monzon�ticas (losango cheio),

sienito (c�rculo vazio) e nefelina-sienito (losango

�vazio). A �rea cinza corresponde � tend�ncia evolucional das rochas subssaturadas em SiO2.

 

Os ETR quando lan�ados no diagrama multielementar (Fig. 4) revelam que os conte�dos m�dios destes elementos para as rochas sien�ticas alocam-se no dom�nio da �rea das rochas m�ficas e ambos apresentam geometrias similares, sugerindo cogeneticidade. Por outro lado, os espectros das rochas monzon�ticas h�bridas apresentam-se mais empobrecidos que os anteriores e caracterizam-se pela presen�a de anomalias positivas em Eu. Estes dados apontam para uma hist�ria complexa para a forma��o das rochas deste bat�lito, sugerindo que a o magma sien�tico dominante envolvido sofreu al�m de mistura, processo importante de cristaliza��o fracionada com alguma acumula��o de feldspato alcalino.

O espectro m�dio dos ETR das rochas nefelina-sien�ticas, quando comparado aos das demais f�cies petrogr�ficas do bat�lito, apresenta-se mais empobrecido e guarda geometria similar apresentada pelas outras f�cies. Este fato � interpretado como assinatura de fonte comum e que estas rochas s�o geradas por cristaliza��o fracionada em partes localizadas desta c�mara magm�tica, envolvendo provavelmente importante cristaliza��o de clinopirox�nio.

 

 

Figura 4. Diagrama multielementar para os ETR normalizados pelo Condrito C1.

 

Os dados das raz�es isot�picas do Sr e Nd apontam para uma fonte mant�lica (0,703<87Sr/86Sro<0,704) relativamente enriquecida (-5<eNdT<+1,4) e as idades modelo (TDM) indicam que a idade de extra��o do manto foi em 1,0-1,1 Ga.

Em resumo, os dados obtidos nesta pesquisa, que investiga a evolu��o petrol�gica do Bat�lito Miasqu�tico Itabuna, revelaram que este corpo segue o padr�o das intrus�es da parte norte da Prov�ncia Alcalina do Sul do Estado da Bahia, onde s�o expressivas as evid�ncias de mistura entre magmas. A idade para a fus�o ment�lica respons�vel por estes magmas ocorreu a aproximadamente 1 Ga, o que coincide com a coloca��o do magmatismo tole�tico fissural presente neste setor do Estado da Bahia. A forma��o das rochas identificadas � controlada em parte pela cristaliza��o fracionada e mistura entre os magmas m�fico e fonol�tico (sien�tico) gerando as rochas monzon�ticas. Os nefelina-sienitos, que ocorrem em por��es localizadas s�o gerados por fracionamento expressivo de clinopirox�nio de magma fonol�tico.

 

AGRADECIMENTOS

Os resultados apresentados neste trabalho constituem s�ntese de parte da tese de doutorado do primeiro autor. Estes estudos contaram com apoios recebidos dos seguintes organismos: Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), PRONEX (CNPq-FAPESB 2003), CNPq (Processos nos 303581/03-4, 550483/02-0). Esta � a contribui��o n�mero 191 do Laborat�rio de Petrologia Aplicada � Pesquisa Mineral do IGEO-UFBA.

REFER�NCIAS

Concei��o, H.; Arcanjo, J.B.; Oliveira, J.E. 1992. Prov�ncia alcalina do sul da Bahia: reflex�es sobre o estado do conhecimento. Congr. Bras. Geol., 37, Anais, SBG, S�o Paulo. Bol. Res. Exp., 2:84-85.

Cordani, U.G.; Bernat, M.; Teixeira, W.; Kawashita, H. 1974. Idades radiom�tricas das rochas alcalinas do Sul do Estado da Bahia. In: SBG, Cong. Bras. Geol., 27, Porto Alegre, Anais, 6:253-259.

Le Maitre, R.W.; Streckeisen A.; Zanettin B.; Le Bas M.J.; Bonin, B.; Bateman, P. 2002. Igneous Rocks: A classification and glossary of terms: recommendations of the International Union of Geological Sciences Subcommission on the systematics of Igneous Rocks.

Menezes, R.C.L. 2005. Petrografia e geoqu�mica do Maci�o Nefelina-Sien�tico Rio Pardo, munic�pio de Potiragu�, Sul da Bahia. Disserta��o de Mestrado, Instituto de Geoci�ncias, Universidade Federal da Bahia, 117 p.

Oliveira, A.E.L. 2003. Geologia, Petrografia, Litogeoqu�mica e idade Rb-Sr do Maci�o Sien�tico Itarantim, Sul do Estado da Bahia. Disserta��o de Mestrado, Instituto de Geoci�ncias, Universidade Federal da Bahia, 110 p.

Peixoto, A.A. 2005. Petrologia do Maci�o Sien�tico Itabuna. Tese de Doutoramento, Instituto de Geoci�ncias, Universidade Federal da Bahia, 145 p.

Rosa, M.L.S.; Concei��o, H.; Macambira, M.J.B.; Marinho, M.M.; Marques, L.S. 2003. Idade (Pb-Pb) e aspectos petrogr�ficos e litogeoqu�micos do Complexo Floresta Azul, Sul do Estado da Bahia. Rev. Bras. Geoc., 33(1):13-20.

Teixeira, W.; Kamo, S.L.; Arcanjo, J.B.A. 1997. U-Pb zircon and baddeleyte age and tectonic interpretation of the Itabuna alkaline suite, S�o Francisco Craton, Brazil. J. South Am. Earth Sci., 10:91-98.